O amor não nos dá garantias
Sim, ele não nos garante nada. Amar não é sinônimo de ser amado, mas senão o desejo de ser amado. “Dar aquilo que não se tem, a quem não quer”, já dizia Lacan [1] . Freud [2] nos adverte que uma das fontes do mal estar são as relações e aqui, talvez, amar seja isso que é difícil: sustentar a diferença, abrir mão, perder. Amor não é completude, longe disso. Sinto muito, Fábio Jr, mas não há uma metade da laranja que vá completar a outra, um mais um não faz um, e sim, dois (ainda bem!). Contrariando a maioria das histórias da minha infância, o amor não garante um final feliz, ainda mais porque não se para de viver até morrer, não se para de escrever até o suspiro final e aí, quem sabe, ter um final feliz. Pode ser que o amor seja entrega, renúncia, privação, o cristianismo já se encarregou de pintar essa versão para nós. E de uma coisa sabemos, não há amor sem dor. Amar e sofrer andam lado a lado, juntinhos. Entretanto, Freud [3] , lá em 1914, já nos lem...