Do Mal Estar na Civilização ao enigma da torta: a inauguração de um grupo
Pouco depois da virada do ano um
convite fez com que janeiro tomasse um novo colorido, o convite de ler a obra
freudiana em grupo fez com que se reacendesse algo em mim, algo que, de algum
modo, estava quase se apagando. Me fez apostar de novo naquilo que já era a
aposta, mas que estava guardado para acontecer no tempo certo.
Juntos
escolhemos um texto um tanto quanto peculiar para inaugurarmos o grupo. Não há
como negar que o texto O Mal-Estar na Civilização (1930 [1929]) é atual
em vista das construções sociais que vivemos. A sensação, muitas vezes, é a de
que Freud o escreveu a pouco e que todas as vezes que retornamos a ele o texto
é inédito.
E inédita é também nossa experiencia
em grupo. Somos poucos, mas as vezes parecemos muitos, plurais e singulares ao
mesmo tempo. Estamos todos começando nos (nossos) caminhos e escolhemos este
para seguirmos juntos, caminhando de pouquinho em pouquinho. E assim fazendo
com que seja possível.
Os encontros acontecem na casa da
Nádia, abraçados pelos livros que fazem com que o ambiente se torne ainda
melhor. Ela abre a sala de casa para que cada um de nós possa trazer um pouco
de si naquelas quartas à noite. E tem o Jhonny, que alegra o ambiente com sua
alegria frenética em receber os convidados. Sempre é acolhedor, sempre é
aconchegante e sempre há lugar... para falar.
E como falamos. Seguindo as
trilhas do texto ou não, atravessados pelo mal estar que Freud anunciava,
tocados por esse novo que agora é descolado da universidade. E seguindo assim, vamos
trilhando os passos do psicanalista de Viena na construção do texto, nas
medidas paliativas para conseguir furar o mal-estar e nas diferenças que vemos
daquilo que Freud falava no século XX para o que vivemos no século XXI. Parece
que muita coisa mudou, mas também parece que há muito ainda para mudar, que
nenhuma causa é ganha por inteiro e o obvio ainda precisa ser dito e
principalmente: defendido.
Ainda percorrendo o texto vemos Freud falar do
amor e do nascimento da civilização. Também vemos falar na agressividade como
algo que é estruturante e de como o amor pode ser saída para isso. E ainda
apostamos de que o amor salva, porque ele pode ser um dos paliativos para a
vida, assim como a arte.
Para finalizar o texto (que
talvez seja a parte que mais dói) Freud fala do supereu e do sentimento de
culpa. Ahhhh a nossa tão grande culpa... por pensamentos e palavras, atos e
omissões... culpa, culpa, culpa... será que há como escapar dela?
Escrevemos cartas, ou tentamos
escrever, porém falamos delas. Físicas ou não elas existiram, delas fizemos
saída para o mal-estar... pelo menos para o mal-estar nosso, singular. Falamos
com Freud sobre como é ser e estar no século XXI, como a psicanálise dele se
tornou nossa ao longo dos anos, como fazemos dela a nossa estratégia para furar
um pouco o mal-estar.
E atualizando o enigma da esfinge
trazemos a vocês o enigma da torta... sim, o enigma da torta porque nem só de
Freud se faz nossas quartas a noite. Foi aniversário da Nathalia e tinha torta
para celebrar (talvez não fosse só uma a celebração) e nessa torta tinha um
ingrediente secreto que nos fez revirar a cabeça e também a torta para
descobrir o que era, a gente descobriu... mas é segredo!
E foi assim que fundamos as Quartas
com Freud! Esperem muitas coisas delas, de nós e também por nós. Queremos
percorrer mais caminhos, mais textos, construir mais e aventurar pelas palavras
e que elas não nos faltem! Já dizia Dumbledore, palavras são a nossa
inesgotável fonte de magia, sem elas naufragamos, com ela emergimos no mar do
real!
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